O que é o globale?

globale é um festival que propõe, através da exibição de filmes de ficção e documentário, construir momentos de debate com um público amplo sobre temas relacionados aos processos de globalização. É um festival sem fins lucrativos, não competitivo e que, portanto, não entrega prêmios nem cobra taxas de inscrição. globale nasceu em Berlim (Alemanha), em 2003, e segue sendo realizado até hoje com o propósito, inclusive, de que as sedes do festival sigam multiplicando-se, de forma a criar uma rede.

Atualmente, o globale acontece em três cidades alemãs, em Montevidéu (Uruguai), desde 2009, e também em Varsóvia (Polônia) desde 2010. Em 2011, o festival chegou a Bogotá (Colômbia) e ao Rio de Janeiro.

Os comitês organizadores em cada cidade-sede são compostos por um grupo heterogêneo de pessoas que colaboram de forma solidária na organização do festival. O grupo tem uma gestão horizontal e o compromisso de tomar suas decisões por consenso.

Se você também quiser colaborar ou saber mais sobre a edição carioca do festival globale, fale com a gente: globalerio@gmail.com

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Inscrições abertas

As inscrições para a seleção dos vídeos que vão compor a mostra globale Rio estão abertas até 30 de abril de 2011.

O material audiovisual deverá abordar temas relacionados aos processos de globalização a partir dos seguintes eixos:

  • Territorialidades, meio ambiente e conflito
  • Terrorismo poético
  • Cidade global
  • Ações midiáticas contra hegemônicas
  • Muros e Furos

Para mais informações, leia a convocatória. Para acessar a ficha de inscrição, clique aqui. To access the registration form in English, click here.

Todo o conteúdo está disponível para download.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Globalização ou Globalizações?

Tentando apreender o fenômeno foco do nosso festival, constatamos que a globalização não é uma, mas muitas. Como discutir as suas tantas facetas tornou-se o nosso desafio. Sendo impossível explorar todas as perspectivas em uma única mostra, decidimos que a primeira edição do festival globale no Rio de Janeiro será organizada pelos eixos temáticos abaixo.

Se você tem um filme que discute esses temas, prepare-se porque as nossas inscrições já vêm aí!

  1. Territorialidades, meio ambiente e conflito: O avanço da fronteira de exploração de recursos naturais produz uma série de alterações nas formas de ocupação e uso do espaço, que resulta na desestabilização de formas de produção relativamente autônomas, responsáveis pela conservação da biodiversidade e dos recursos ambientais. Em cada país, tem sido múltiplas as respostas: populações indígenas, comunidades quilombolas, pequenos produtores rurais, pescadores e extrativistas reafirmam e recriam suas identidades, ressignificando seus territórios e colocando em debate o modelo de produção e consumo. Nas cidades, grupos organizados também discutem e enfrentam as conseqüências negativas da degradação ambiental através de ações de solidariedade com populações afetadas e da busca de soluções que questionam o modelo de desenvolvimento capitalista, apresentando alternativas sustentáveis à crise ambiental.

  1. Terrorismo poético: “Entre num banco 24 horas e cuspa fogo. Instale cápsulas alienígenas em praças públicas. Rapte alguém e faça-o feliz”. Terrorismo Poético são formas e expressões de mobilização e difusão de arte, não-violentas, descategorizadas de qualquer estrutura convencional de consumo. O ato induz reflexão sobre todo o processo de integração econômica, cultural, social e política ocorrida com a globalização. Com isso, artistas podem maximizar a noção de liberdade e provocar mudanças de paradigma. Terrorismo poético é arte e ativismo. É transformação social.

  1. Cidade global: O termo Cidade Global surgiu em 1991, na obra da socióloga holandesa Saskia Sassen. O conceito se aplica às metrópoles que são referência para o capital internacional em suas regiões. Os filmes inscritos neste eixo falam tanto sobre as cidades que se encaixam nessa ideia quanto sobre as cidades que sofreram ou estão sofrendo grandes transformações para abrigar megaeventos internacionais - como as sedes da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e o Rio de Janeiro. Quais são os impactos sobre as populações desses lugares e suas adjacências; quem são os principais beneficiados com esses processos?

  1. Ações midiáticas contra hegemônicas: Iniciativas que questionam a cobertura jornalística da mídia hegemônica, apresentando um ponto de vista alternativo das lutas populares; registros de ações invisibilizadas pela mídia; também registros de iniciativas midiáticas comunitárias, populares, alternativas, livres e/ou radicais no marco da luta pelo direito humano a comunicação.

  1. Muros e Furos: Os filmes deste eixo tratam das barreiras construídas para impedir o fluxo de pessoas entre países ou regiões de conflito de qualquer natureza (militar, econômico, religioso, etc.). Desde a Muralha da China, aos muros de Berlim, Israel/Palestina, EUA/México, os chamados muros da vergonha não são apenas as estruturas físicas. Complexos sistemas legais - e ilegais – para imigração, os muros também atuam como barreiras invisíveis. No entanto, sempre há alguém disposto a furar esses esquemas com muita coragem e criatividade.

Conversas de Rabo de Ouvido

Trecho curioso de uma conversa que ouvi, de "rabo de ouvido", no ônibus hoje:

Passageiro 1: ...pois é, achei bacana a proposta de ouvir as pessoas para elas dizerem o que acham sobre a proibição do véu islâmico em locais públicos, lá na França.
Passageiro 2: Aham, eu não tenho nenhum problema com religião. Pra mim, cada um tem a que quiser.
Passageiro 1: É, aí a pessoa tem que ter bom senso. Quer dizer, a menina vai usar o véu na escola? Nada a ver, né?
Passageiro 2: Claro, o único problema que eu tenho com os muçulmanos é que eles teimam que todo mundo tem que viver COMO ELES. Sabe, te impõem os valores...


¬¬

Roger & Eu

DES-ENCONTRO COM ROGER SMITH, OU O MUNDO GLOBAL VISTO DO LADO DE LÁ

No final da década de 1980, a montadora de automóveis General Motors decidiu fechar suas fábricas nos Estados Unidos para tornar-se "mais competitiva" no mercado. Como consequência, a cidade natal do jornalista Michael Moore, Flint/Michigan, seria devastada e considerada pela imprensa a pior cidade do país para se morar.

Procurando um meio de remediar tal tragédia ou pelo menos uma explicação razoável para ela, Moore passa o filme inteiro (cerca de 1 ano) tentando conversar com o presidente da empresa, Roger Smith.

O primeiro documentário de longa-metragem de Michael Moore estabelece uma lógica de raciocínio que permeia todo o seu trabalho: as perguntas ingênuas são as melhores perguntas! São as mais reveladoras.

Nesse sentido, seu humor trabalha na linha do “se perguntar não ofende...” Assim ele viaja pra onde for necessário para obter respostas para alguns problemas que observa nos EUA. Em Roger & Eu, Michael descobre que a GM está transferido suas montadoras para o México porque lá o custo da mão-de-obra é de centavos de dólar/hora. Mesmo sabendo que isso desempregaria diretamente 30 mil americanos, os executivos da GM declaram que Roger Smith é um ser humano maravilhoso e desejam ao povo de Flint muito boa sorte.

Na festa de Natal da GM, em 1988 ano em que ocorrem as demissões, Smith cita Charles Dickens para transmitir uma mensagem de paz. Engraçado, para quem não sabe, Dickens é o autor do famoso conto Cântico de Natal no qual o empresário sovina Ebenezer Scrooge recebe em sua casa os espíritos dos natais passado, presente e futuro. Qualquer identificação seria mera semelhança?

Em um documentário, a escolha do material que vai entrar na versão final do filme é crucial. Em Roger & Eu, as escolhas de Michael Moore foram muito acertadas. Destaque para a mulher criadora de coelhos – que imagem!

Título Original: Roger & Me
Direção: Michael Moore
País: EUA / Idioma: Inglês
Ano: 1989
Duração: 91 min.

P.S.: Segundo a Wikipédia, a multinacional GM recebeu 13,4 bilhões de dólares do governo americano, no final de 2008 "para resolver seu problema de liquidez" decorrido da crise econômica, "mundial", se vista pelo lado de lá.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Encontro com Milton Santos, ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá

AFINAL, COMO PENSAR A GLOBALIZAÇÃO?
Nós, do globale Rio, estamos tentando alinhavar conceitos em comum para que o grupo possa se subdividir na seleção dos filmes para a edição brasileira de 2011.

Uma das estratégias para a criação desse pensamento compartilhado quanto à globalização é que todos vejam o documentário do Silvio Tendler (2006) sobre o geógrafo brasileiro Milton Santos.

Aqui segue a primeira parte do filme. É possível vê-lo na íntegra pelo youtube.



Título: Encontro com Milton Santos, ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá
Direção: Silvio Tendler
País: Brasil / Idioma: Português
Ano: 2006
Duração: 89 min.

Este post foi enviado pela "globaleira" Priscila Maia